Um nó

kiss on the hand

Um beijo na mão, e só…

Na mente, a Lua distante;

Em suas ações (loucas) um nó.

 

Um olhar repentino, e basta…

Na mente, um desejo de amante;

Em sua ânsia, a musa, casta.

 

Um sacudir de cabelos, e pronto…

Em frente, provocação, cativante;

Enfrente essa beleza – confronto.

 

Um prende e solta cabelos – disfarça…

Ele (pedra bruta), Ela (diamante);

A Lua permanece, o resto passa.

 

Um beijo na mão, e só…

Sem “oi”, sem “tchau”, tão distantes;

Em suas ações (infantis) um nó.

                                      (Majal-San  //  08  10  2018)

Balança

 

 Balança-Poema

Tua língua

Meu signo

Teu plural

Meu singular

 

O significado

Meu sangue

O significante

Teus sinais

 

Teu ato

Meu verbo

Tuas respostas

Eu sem perguntas

 

Variantes – o silêncio

Signos – a linguística

Línguas – o beijo

Eu e o zodíaco

 

Teu idioma

Minha ignorância

Todos os sinais

E minha insignificância.

                              (Majal-San // 08  08  2018)

Balança - foto

 

Paralelo

foto0104

Tudo errado!

A música não foi composta

Esperando uma crítica tolerante.

A hipotenusa não diz respeito

Com nenhum dos catetos.

Leio frases de uma gramática

Sem regras de concordância.

A poesia não obedece a métrica,

Assim eu me encontro,

Procurando uma menor distância

Entre dois pontos além da reta.

Meus conterrâneos falam um idioma

Que para mim é indecifrável.

 

De onde virá o meu esperma?

Sei que se perdera no espaço,

Feito o som da música livre

E os catetos indiferentes.

Minha mente está desassociada,

Sem condições de liberar o meu sêmen,

Sem condições de recusar

A discordância gramatical

E assim criar uma poesia sem rimas e sem métrica.

             (Majal-San // 08.09.1993)