ELA

Majal-San -sitting

         Escrever para Ela, sobre Ela (a Poesia) é um prazer inenarrável. Escrever, para ele, hoje é ofício prazeroso. Ela sempre se esconde lá no cantinho, mas não consegue impedir a visão dele. Ela sempre se afasta, senta-se distante dos olhos do poeta, mas não consegue impedir o olhar dele, que sempre a procura, sempre a busca, à busca sempre. Escrever sobre Ela e para Ela é uma incumbência satisfatória. Escrever sobre Ela, para ela, não parece mais excitante, parece supérfluo. É como se para ela, escrever, para ele fosse uma obrigação. Para ele, ela se encontra num desencontro. Ela vive num ser bruto. Ela renasce no inesperado (mas ele espera).

         A Poesia cutuca sua imaginação, ele viaja. “Não catuque a ferida!” Não insista. Ela pensa, não viaja. A imaginação é a ferida, ele não quer que sare. Não quer a cura. Ela já o penetrou, alastrou, infestou seu velho peito. Ela é a viagem. Quando no sonho perambula em sua mente, sua visão, Ela, só Ela decide o início e o fim. O fim que geralmente vem de súbito, duro, amargo – indesejável.

         Escrever, para ele, é o antídoto e o ópio. Para ela, o veneno.

 

                                                                                                  (Majal-San)

 

MISSA

 

O odor forte da hipocrisia

Penetra (fulminante)mente minhas narinas.

Seres robotizados sentam, levantam, sentam,

Cantam, repetem, calam, ouvem,

Prometem, não cumprem.

 

Alguns, pacientes, esperam

O término da celebração – o orador não cala.

 

Alguns, impacientes, esperam

Os petiscos, a cevada, o álcool – não vêm.

 

O cisco da bondade efêmera

Penetra, cortante, os meus olhos.

Seres robotizados perdoam e se emocionam,

Têm esperanças – quem sabe realizações?

 

Seres que rezam pela paz

E difamam o vizinho.

Seres que rezam pela paz

E ao mesmo tempo me observam.

 

O que veem? Não sei! Amém!

Missa