Desgoverno

Colocaram um louco na direção,
O hospício está mais insano.
Puseram um maluco no volante,
Provocou grave acidente o tirano.

Deram a um delinquente a batuta,
A orquestra está totalmente perdida.
Encaixaram um pústula na pústula,
O germe se alastrou pela ferida.

Um louco sem direção.
Um maluco desgovernado.
Um delinquente sem reação.
O ódio já alastrado.

                (Majal-San)
                01 06 2020


Nódoa cruel

 

 

Óleo preto

Petróleo

Preto óleo

Poluição

 

Surge a sujeira sujeitando

indivíduos limpos ou sujos

a reféns do tal descaso

 

Preto óleo

Poluição

Óleo preto

Petróleo

 

Agoniza a Natureza indefesa

nesse golpe irresponsável tão fatal

aos reféns da impureza

 

Petróleo

Óleo preto

Poluição

Preto óleo.

                        (Majal-San //29  10  2019 )
                           

 

No seu aro

 

 

E a Besta chegou…

Vem com Ela a chibata,

a seta, o arpão, a lança…

Tu trazes o lombo,

o alvo, a presa – bem mansa.

 

E a Fera chegou…

Vem com Ela a arrogância,

a intolerância, a condenação…

Tu trazes a subserviência,

arrependimento tardio – em vão.

 

A Besta-fera chegou!

Trouxe o ferrão, a estaca,

suas garras, seu faro…

Tu já estás à espera,

despreparado, com teu aro.

 

                   (Majal-San // 24  10  2018)

 

“Não temos muito o que conversar”

 

 

As esquinas não se fazem sós,

A Lua não brilha por si.

A brisa não refresca por nós,

A nota que desafina em Mi.

 

As curvas não se entortam alheias,

A ventania atordoa o pó.

Teus olhos não se retraem – anseias

A nota que desafina em Dó.

 

As vozes não se calam à toa,

A Poesia permanece de pé.

Teu sussurro deveras entoa

Uma nota que desafina em Ré.

 

                                       (Majal-San // 22  10  2018)

 

Declamando - Majal-San (2)

 

Algumas palavras entrelacei

 

 

As pedras!

Algumas chutei…

Com algumas me machuquei – machucam!

 

Escadas!

Degraus – alguns galguei…

Em alguns tropecei – dói!

 

Tapete!

Debaixo de alguns escondi…

Alguns a sujeira não conseguiram esconder

– eles voam!

 

Estrada!

Percorri algumas…

Tantas estreitas – elas espremem!

 

Leito!

Em alguns repousei…

De alguns eu cai – eles derrubam!

 

Casa!

Em algumas morei, vivi, casei…

De algumas escapei, fugi – elas permitem!

 

Companheiro!

Com alguns convivi, convivo, continuarei…

Com alguns estive, estou, estarei

– eles me aguentam!

 

Poesia!

Aqui sempre estará…