Inquietude

 

 

Meus joelhos são arrastados no asfalto,

A minha pele impregnada de espinhos;

Do conflito sou apenas o arauto,

Chuva de pedras destruindo os seus ninhos.

 

Essas ações e o meu ser em sobressalto,

Viagem poética e minhas vestes em desalinho;

Nesse conflito sou apenas um incauto

Alucinado que não encontra o seu caminho.

 

Minhas marcas vão manchando esse chão,

Suor e sangue tatuando a triste via,

Um sentimento que entrou na contramão.

 

Os meus traços, o meu grito – tudo em vão.

Minhas palavras, os meus versos (desarmonia),

Argumentos dissonantes – sem noção.

 

                                                               (Majal-San // 17  11  2019)

 

 

 

 

 

O grito da inspiração

 

 

Hoje, à distância, observei minha fonte;

Não mergulhei como antes – contemplei.

Hoje, à distância, analisei aquela ponte;

Não atravessei, não pisei – sequer tentei.

 

Hoje, remotamente, visitaste meu pensamento;

Nesse instante bagunçaste todo meu conceito.

Hoje, cruel foi minha memória – um tormento;

Nesse instante perfuraste esse velho peito.

 

Se amanhã apareceres os meus olhos não fecharei,

Serei forte suficiente para me cegar,

Se amanhã a ponte surgir atravessarei.

 

Se amanhã a Poesia me penetrar,

Serei forte suficiente para não escrever,

Amanhã serei louco suficiente – vou gritar.

                                                                         (Majal-San // 25  09  2018)

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Soneto impertinente

Majal thinking - Soneto impertinente

 

O teu querer tão diferente

Nossos instantes tão dispersos

O meu apelo insuficiente

E eu perdido nesse universo

 

Minha solidão é emergente

A decepção – o insucesso

Minha tentativa incoerente

Contradição – tu és o inverso

 

Esse teu “não” tão convincente

Sem palavras, sem sinais – nenhum gesto

E o meu desejar tão inerente

 

Esse teu “calar” tão insistente

Sem palavras, sem sinais – sem o resto

E aqui esse soneto impertinente.

                                  (Majal-San // 01  08  2018)

 

“…os problemas da vida são bem mais que isso.”

Os problemas da vida

 

Sou apenas esse poeta insistente

Cuja poesia não consegue atrair

Esse ser teimoso e impertinente

Que teima em escrever enquanto existir

 

Sou apenas esse poeta indecente

Que não consegue as palavras conter

Esse ser chato e persistente

Que teima em criar (errar) enquanto viver

 

Atroz e cruel inspiração – me esquece!

Infinita poesia – deixa minhas veias

Ingênuo coração que não obedece

 

Louca imprevisível inspiração – me larga!

Infinita poesia – deixa essa teia

Ingênuo coração que agora se apaga.

                                    (Majal-San)

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Soneto Metido ao Tal

 

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O teu silêncio tenta explodir meus tímpanos

Tentáculos imóveis e o meu corpo indefeso

O teu olhar oculto tenta esconder-me do fato

Fado constante em semblante teimoso – aceso

 

A tua distância está bem ali – incomoda

Incômoda ânsia, mas se não fosse, o que seria?

Sereia assassina dos meus insanos atos

Pactos impossíveis nessa tal rebeldia

 

O meu silêncio tenta esconder meu desejo

O teu beijo intenso nem que seja em sonho

Assim proponho tua voz ausente – desejo

 

A minha distância está bem aqui – diminua

O teu contexto distante do meu texto tristonho

Desse sonho quero acordar com minha boca na tua.

                                                          (Majal-San // 16.07.2018)

 

(Nova)mente

 

 

O Sol explodiu diante dos teus refletores

A Lua caiu diante dos teus pés

Não iluminaste minhas dores

Mas acendeste meus olhos infiéis

 

Diante dos meus olhos o lago transbordou

Abaixo dos meus pés a Terra sumiu

Não foi proposital que desliguei o interruptor

Mas a imagem diante da visão ruiu

 

A íris desapareceu do arco

A sombra desapareceu do satélite

O vento é, a brisa é, eu sou fraco

 

Nas pálpebras apareceu o líquido

Na voz apareceu o soluço

A carne é, a língua é, estou insípido.

                                          (Majal-San // 02.08.2006)